CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS NO ENEM-VESTIBULARES-CONCURSOS-SIMULADOS-DICAS DE ESTUDOS-MACETES-TÉCNICAS DE MEMORIZAÇÃO E APRENDIZAGEM
CLÁSSICOS DE NAPOLEON HILL
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
O que é ideologia - Marilena Chauí
PARTINDO DE ALGUNS EXEMPLOS
Sistematizando o pensamento filosófico grego, Aristóteles elaborou algo que, a partir da filosofia medieval, ficou sendo conhecido como a teoria das quatro causas. Como se sabe, uma das maiores preocupações dos filósofos gregos era a explicação do movimento. Por movimento, os gregos entendiam: 1) toda mudança qualitativa de um corpo qualquer (por exemplo, uma semente que se toma árvore, um objeto branco que amarelece, um animal que adoece, etc.); 2) toda mudança quantitativa de um corpo qualquer (por exemplo, um corpo que aumente de volume ou diminua, um corpo que se divida em outros menores, etc,); 3) toda mudança de lugar ou locomoção de um corpo qualquer (por exemplo, a trajetória de uma flecha, o deslocamento de um barco, a queda de uma pedra, o levitar de uma pluma, etc.); 4) toda geração e corrupção dos corpos, isto é, o nascimento e perecimento das coisas e dos homens. Movimento, portanto significa para um grego toda e qualquer alteração de uma realidade, seja ela qual for. A teoria aristotélica das quatro causas, tal como foi recolhida e conservada pelos pensadores medievais, é uma das explicações encontradas pelo filósofo para dar conta do problema do movimento. Haveria, então, uma causa material (a matéria de que um corpo é constituído, como, por exemplo, a madeira, que seria a causa material da mesa), a causa formal (a forma que a matéria possui para constituir um corpo determinado, como, por exemplo, a forma da mesa que seria a causa formal da madeira), a causa motriz ou eficiente (a ação ou operação que faz com que uma matéria passe a ter uma determinada forma, como, por exemplo, quando o marceneiro fabrica a mesa) e, por último, a causa final (o motivo ou a razão pela qual uma determinada matéria passou a ter uma determinada forma, como, por exemplo, a mesa feita para servir como altar em um templo). Assim, as diferentes relações entre as quatro causas explicam tudo que existe, o modo como existe e se altera, e o fim ou motivo para o qual existe. Um aspecto fundamental dessa teoria da causalidade consiste no fato de que as quatro causas não possuem o mesmo valor, isto é, são concebidas como hierarquizadas indo da causa mais inferior à causa superior. Nessa hierarquia, a causa menos valiosa ou menos importante é a causa eficiente (a operação de fazer a causa material receber a causa formal, ou seja, o fabricar natural ou humano) e a causa mais valiosa ou mais importante é a causa final (o motivo ou finalidade da existência de alguma coisa). À primeira vista, essa teoria é uma pura concepção metafísica que serve para explicar de modo coerente e objetivo os fenômenos naturais (física) e os fenômenos humanos (ética, política e técnica). Nada parece indicar a menor relação entre a explicação causal do universo e a realidade social grega. Sabemos, porém, que a sociedade grega é escravagista e que a sociedade medieval se baseia na servidão, isto é, são sociedades que distinguem radicalmente os homens em superiores – os homens livres, que são cidadãos, na Grécia, e senhores feudais, na Europa medieval – e inferiores – os escravos, na Grécia, e os servos da gleba, na Idade Média. Mas, o que teria a concepção da causalidade a ver com tal divisão social? Muita coisa. Se tomarmos o cidadão ou o senhor e indagarmos a qual das causas ele corresponde, veremos que corresponde à causa final, isto é, o fim ou motivo pelo qual alguma coisa existe é o usuário dessa coisa, aquele que ordenou sua fabricação (por isso, na teologia cristã, Deus é considerado a causa final do universo, que existe “para Sua maior glória e honra”). Em outras palavras, a causa final está vinculada à idéia de uso e este depende da vontade de quem ordena a produção de alguma coisa. Se, por outro lado, indagarmos a que causa corresponde o escravo ou o servo, veremos que corresponde à causa motriz ou eficiente, isto é, ao trabalho graças ao qual uma certa matéria receberá uma certa forma para servir ao uso ou ao desejo do senhor. Compreende-se, então, por que a metafísica das quatro causas considera a causa final superior à eficiente, que se encontra inteiramente subordinada à primeira. Não só no plano da Natureza e do sobrenatural, mas também no plano humano ou social o trabalho aparece como elemento secundário ou inferior, a fabricação sendo menos importante do que seu fim. A causa eficiente é um simples meio ou instrumento. Temos, portanto, uma teoria geral para a explicação da realidade e de suas transformações que, na verdade, é a transposição involuntária para o plano das idéias de relações sociais muito determinadas. Quando o teórico elabora sua teoria, evidentemente não pensa estar realizando essa transposição, mas julga estar produzindo idéias verdadeiras que nada devem à existência histórica e social do pensador. Até pelo contrário, o pensador julga que com essas idéias poderá explicar a própria sociedade em que vive. Um dos traços fundamentais da ideologia consiste, justamente, em tomar as idéias como independentes da realidade histórica e social, de modo a fazer com que tais idéias expliquem aquela realidade, quando na verdade é essa realidade que torna compreensíveis as idéias elaboradas. Prossigamos com nosso exemplo. Vejamos agora o que sucede com a teoria da causalidade no mundo moderno, a partir da física elaborada nos séculos XVII e XVIII. Com os trabalhos de Galileu, Francis Bacon e Descartes (entre outros), o pensamento moderno reduziu as quatro causas apenas a duas: a eficiente e a final, passando a dar à palavra “causa” o sentido que hoje lhe damos, isto é, de operação ou ação. A física moderna considera que a Natureza age de modo inteiramente mecânico, isto é, como um sistema necessário de relações de causa e efeito, tomando a causa sempre e exclusivamente no sentido de causa motriz ou eficiente. Ou seja, não há causas finais na Natureza. No plano da metafísica, porém, além da causa eficiente, é conservada a causa final, pois esta se refere a toda ação voluntária e livre, ou seja, refere-se à ação de Deus e â dos homens. A vontade (divina e humana) é livre e age tendo em vista fins ou objetivos a serem alcançados. Assim, a Natureza se distingue de Deus e dos homens (enquanto espíritos); é que ela obedece a leis necessárias e impessoais – a causa eficiente define o reino da Natureza como reino da necessidade racional –, enquanto Deus e os homens agem por vontade livre – Deus e os homens constituem o reino da finalidade e da liberdade.
Para ler o texto na íntegra acesse o link abaixo:
http://www.mrherondomingues.seed.pr.gov.br/redeescola/escolas/27/1470/14/arquivos/File/Documentacao/Oqueideologia.pdf
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
Uma abordagem teórica: “Apologia de Sócrates” de Platão.
Uma
abordagem teórica: “Apologia de Sócrates” de Platão.
Por:
DONALDO DE ASSIS BORGES
A
análise do texto passa pela superação de algumas questões que não
ficam evidentes na obra. Seria essa obra a descrição fiel das
palavras de Sócrates perante o Tribunal de Atenas? Seria essa uma
forma de Platão dizer o que pensava sobre as injustiças sofridas
por Sócrates, julgado não pela sua filosofia mas por questões
evidentemente políticas? Seria a obra uma forma de demonstrar as
pressões da política sobre a filosofia que para ele era uma forma
superior de saber e que deveria dirigir os rumos da
política?
Evidentemente, não temos as respostas
para essas perguntas. Quanto à posição pessoal do autor, porém
depreende-se a sua concordância com as argumentações expressas nas
palavras de Sócrates.
Neste sentido, a análise
sobrecairá sobre as argumentações, as ideias, os conceitos, os
problemas levantados, contra-argumentos, refutações etc, procurando
compreendê-los a partir das regras de abordagem teórica aprendidas
na disciplina.
A obra compõe-se de um preâmbulo e
três partes. Na primeira, está “a defesa” de Sócrates onde
consta o diálogo com Meleto, na segunda, “a pena” e “do
esperado da pena”, e na terceira parte, “após a condenação”
e “aos que votaram contra”, onde Sócrates faz uma reflexão
sobre as suas convicções de vida e morte, e a relação com os
deuses.
A obra está estruturada sob a forma de
diálogo. O diálogo filosófico privilegia a função destinatário.
Porém, o seu desenrolar não ocorre de forma pacífica, mesmo porque
o contexto não permite a amistosidade. O autor não se apoia no
interlocutor com liberdade. Trata-se de uma acusação a ser
refutada. Eis a acusação, datada de janeiro de 399 a. C.:
“A seguinte acusação escreve e jura Meleto, filho Meleto, do povoado de Piteo, contra Sócrates, filho de Sofronisco, do povoado de Alópece. Sócrates é culpado de não aceitar os deuses que são reconhecidos pelo Estado, de introduzir novos cultos, e, também, é culpado de corromper a juventude. Pena: a morte” (Platão. 1999, p.59).
Nesta
época, a cidade de Atenas não podia mover ações, mas um cidadão
podia, assumindo, porém, total responsabilidade, se a acusação não
fosse considerada pelo júri. Meleto não estava só, a ele haviam se
juntado Ânito e Lícon, com os mesmos direitos à palavra no
tribunal. Entendiam os acusadores que Sócrates era
“réu de haver-se ocupado de assuntos que não eram de sua alçada, investigando o que existe embaixo da terra e no céu, procurando transformar a mentira em verdade e ensinando-as às pessoas” (Platão. 1999. p. 69).
Por
isso, Sócrates logicamente se concentra em uma argumentação
contrária a seus adversários, que em alguns momentos se torna
pessoal. Quando o filósofo responde a seus adversários por
refutação, tentando invalidar as teses opostas à sua, fala-se em
função polêmica. A intertextualidade se escora na função
dialógica e polêmica. Nesse caso a função dialógica é
introspectiva, ou seja, ela vem à tona nos momentos em que Sócrates
retrocede ao passado para reforçar a sua argumentação de defesa na
tentativa de esvaziar a acusação. Neste caso, a função polêmica
não se dá entre filósofos, mas entre Sócrates e seus acusadores,
e sobre isso não há conciliação.
O processo
argumentativo tem como emissor/autor a figura de Sócrates. É ele
quem defende e elabora a argumentação expõe de forma clara ao
receptor/destinatário/leitor. Para isso, é necessário que ele
conheça o receptor. No contexto da defesa os receptores são os
juízes do tribunal de Atenas (auditório particular). Porém, o
texto de Platão, aqui considerado como emissor/autor, o receptor
/destinatário /leitor é o sujeito universal (auditório universal).
Isto porque, o processo de validação na enunciação universal se
dá na medida em que a presença do autor é apagada, e isto
constitui por si uma forma de validação. Não são percebidos os
pontos de vista pessoais do autor, estes não são identificáveis se
são de Sócrates ou do próprio autor. Os pontos de vista são
reduzidos a idéia central de Sócrates que não havia cometido
nenhum ilícito e que estava sendo acusado injustamente. Essa a tese
central: o desenvolvimento puro e simples de uma filosofia sem
qualquer consequência danosa para a sociedade.
Diante
dos elementos que compõem uma argumentação, podemos destacar que o
problema, ou seja, a questão a qual o filósofo busca resposta, é a
acusação de não aceitar os deuses que são reconhecidos pelo
Estado, de introduzir novos cultos, e, também, de corromper a
juventude ateniense. A tese defendida pelo filósofo, em resposta às
acusações, é a de que nada mais fazia do que filosofar. A sua
teoria era a de que não havia quem pudesse dizer-se prejudicado com
os seus ensinamentos. Os seus argumentos, recheados de ironia, faziam
corar os acusadores, que, pela força dos argumentos ficavam sem
palavras para prosseguir na acusação. Por isso, a
contra-argumentação, ou seja, as razões contrárias à tese
defendida, certamente não prevaleceriam num julgamento justo. As
refutações do filósofo não são feitas propriamente segundo um
diálogo polêmico se considerarmos que ele mesmo coloca a questão e
supõe as eventuais respostas, e sobre elas argumenta minimizando a
importância dos eventuais argumentos contrários com intuito de
convencer os juízes do tribunal.
No momento em que
interpela Meleto, Sócrates retira dele conclusões que por certo o
absolveriam. Isso o leva a acusar Meleto de ser ele o réu porque
estava abordando assuntos sérios e tão inescrupulosamente o levara
ao tribunal.
A conclusão do filósofo foi a de que
ele não havia cometido nenhum crime diferentemente dos juízes que
julgaram precedente a ação para condenar Sócrates à pena de
morte.
Porém, Sócrates é fiel às suas convicções
e não admite renunciar ao que ensinou. Admite ser melhor morrer e
ficar livre de fadigas. No entanto, faz um pedido. Que no futuro,
seus filhos sejam castigados da mesma forma que ele se estivem
cuidando mais da riqueza ou de outra coisa que da virtude; se
estiverem supondo ter um valor que não tenham, se suporem méritos
que não os tenham. Dai que, se assim agirem, terá ele recebido
deles a justiça, e também os seus filhos.
Sócrates
pautou sua vida por uma ética post mortem, ou seja, na crença de
que a conduta virtuosa e verdadeira durante a sua vida, lhe daria a
paz necessária e a credibilidade moral para ser recepcionado pelos
deuses.
Em razão disso, e também do julgamento
injusto, previne que era chegada a hora de partirem, ele para a
morte, o outros para a vida. E sobre quem seguiria melhor destino, se
ele, ou os outros, era um segredo para todos, exceto para os deuses.
REFERÊNCIAS
PLATÃO. Apologia de Sócrates. São Paulo: Nova Cultural, 1999.
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[1] Donaldo de Assis Borges. Advogado e Professor Universitário em Franca/SP.
PLATÃO. Apologia de Sócrates. São Paulo: Nova Cultural, 1999.
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[1] Donaldo de Assis Borges. Advogado e Professor Universitário em Franca/SP.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Sociologia: Durkheim Propõe uma Teoria do Fato Social- solidariedade mecânica e solidariedade Orgânica
Por sua vez, E. Durkheim, em Da Divisão do Trabalho Social, de 1893, coloca duas questões sobre as relações entre os indivíduos e a coletividade:
· como pode um conjunto de indivíduos constituir uma sociedade?
· como este conjunto de indivíduos consegue obter um consenso para a convivência?
Segundo Durkheim, duas formas de solidariedade social podem ser constatadas: a solidariedade mecânica, típica das sociedades pré-capitalistas, onde os indivíduos se identificam através da família, da religião, da tradição, dos costumes. É uma sociedade que tem coerência porque os indivíduos ainda não se diferenciam. Reconhecem os mesmos valores, os mesmos sentimentos, os mesmos objetos sagrados, porque pertencem a uma coletividade. E a solidariedade orgânica, característica das sociedades capitalistas, onde, através da divisão do trabalho social, os indivíduos tornam-se interdependentes, garantindo, assim, a união social, mas não pelos costumes, tradições etc. Os indivíduos não se assemelham, são diferentes e necessários, como os órgãos de um ser vivo. Assim, o efeito mais importante da divisão do trabalho não é o aumento da produtividade, mas a solidariedade que gera entre os homens.
Algumas idéias fundamentais decorrem desta análise, como o conceito de consciência coletiva: "O conjunto de crenças e de sentimentos comuns entre os membros de uma mesma sociedade, forma um sistema determinado que tem sua vida própria; podemos chamá-la de consciência coletiva ou comum. Sem dúvida, ela não tem como substrato um órgão único; é, por definição, difusa, ocupando toda a extensão da sociedade; mas nem por isso deixa de ter características específicas, que a tornam uma realidade distinta. Com efeito, ela é independente das condições particulares em que se situam os indivíduos. Estes passam, ela fica. É a mesma no Norte e no Sul, nas grandes e nas pequenas cidades, nas diferentes profissões. Por outro lado, não muda em cada geração, mas ao contrário liga as gerações que se sucedem. Portanto, não se confunde com as consciências particulares, embora se realize apenas nos indivíduos. É o tipo psíquico da sociedade, tipo que tem suas propriedades, condições de existência, seu modo de desenvolvimento, exatamente como os tipos individuais, embora de outra maneira".
Nas sociedades dominadas pela solidariedade mecânica a consciência coletiva abrange a maior parte dos membros desta sociedade. Nas sociedades dominadas pela solidariedade orgânica há uma redução desta consciência coletiva porque os indivíduos são diferenciados. Por isso, nestas últimas, em oposição às primeiras, ocorre um enfraquecimento das reações coletivas contra a violação das proibições sociais e há, especialmente, uma margem maior na interpretação individual dos imperativos sociais.
Durkheim defende também o primado da sociedade sobre o indivíduo:
· as sociedades têm prioridade histórica sobre os indivíduos
· as sociedades têm prioridade lógica sobre os indivíduos, porque se a solidariedade mecânica precede a solidariedade orgânica, não se pode explicar a diferenciação social a partir dos indivíduos, pois a consciência de individualidade não pode existir antes da solidariedade orgânica e da divisão do trabalho social.
Daí que os fenômenos individuais devem ser explicados a partir da coletividade, e não a coletividade pelos fenômenos individuais. Donde a divisão do trabalho ser um fenômeno social que só pode ser explicado por outro fenômeno social, como a combinação do volume, densidade material e moral de uma sociedade, sendo que o único grupo social que pode proporcionar a integração dos indivíduos na coletividade é a corporação profissional.
Em outra importante obra, publicada em 1912, As Formas Elementares da Vida Religiosa, E. Durkheim propõe a elaboração de uma teoria geral da religião fundamentada nas formas mais simples e primitivas das instituições religiosas. Durkheim acredita, assim, que se possa apreender a essência de um fenômeno social observando suas formas mais elementares. Por isso parte do estudo do totemismo nas tribos australianas, chegando à conclusão de que os homens adoram uma realidade que os ultrapassa, que sobrevive a eles, mas que esta realidade é a própria sociedade sacralizada como força superior. Nem as forças naturais, nem os espíritos, nem as almas são sagradas por si mesmas. Só a sociedade é uma realidade sagrada por si mesma. Pertence à ordem da natureza, mas a ultrapassa. É ao mesmo tempo causa do fenômeno religioso e justificativa da distinção entre sagrado e profano. Para Durkheim, qualquer crença ou prática religiosa é semelhante às práticas totêmicas.
Mas por que a própria sociedade torna-se objeto de crença e culto? Durkheim explica: "De maneira geral, não há dúvida de que uma sociedade tem tudo o que é preciso para despertar nos espíritos, unicamente pela ação que ele exerce sobre eles, a sensação do divino; porque ela é para os seus membros o que um deus é para os seus fiéis. Um deus, com efeito, é antes de tudo um ser que o homem imagina, em determinados aspectos, como superior a si mesmo e de quem acredita depender. Quer se trate de personalidade consciente, como Zeus ou Javé, ou então de forças abstratas como as que estão presentes no totemismo, o fiel, tanto num caso como no outro, acredita-se obrigado a determinadas maneiras de agir que lhe são impostas pela natureza do princípio sagrado com o qual se sente em relação. Ora, a sociedade também alimenta em nós a sensação de contínua dependência. Como tem natureza que lhe é própria, diferente da nossa natureza de indivíduo, ela visa a fins que lhe são igualmente especiais: mas, como só pode atingi-los por nosso intermédio, reclama imperiosamente nosso concurso. Ela exige que, esquecidos de nossos interesses, nos tornemos seus servidores e nos impõe toda espécie de incômodos, de privações e de sacrifícios sem os quais a vida social seria impossível. É por isso que a cada instante somos obrigados a nos submeter a regras de comportamento e de pensamento que não fizemos nem quisemos, e que às vezes são até contrárias às nossas tendências e aos nossos instintos fundamentais.
Todavia, se a sociedade só obtivesse de nós essas concessões e esses sacrifícios por imposição material, não poderia despertar em nós senão a idéia de força física à qual devemos ceder por necessidade, e não a idéia de força moral do gênero das que as religiões adoram. Mas na realidade, o domínio que ela exerce sobre as consciências vincula-se muito menos à supremacia física de que tem o privilégio do que à autoridade moral de que está investida. Se nos submetemos às suas ordens, não é simplesmente porque está armada de maneira a triunfar das nossas resistências, é, antes de tudo, porque constitui o objeto de autêntico respeito".
Em As Regras do Método Sociológico, de 1895, Durkheim propõe, com sua sociologia formular uma teoria do fato social, demonstrando que pode haver uma ciência sociológica objetiva e científica, como nas ciências físico-matemáticas.
Para que haja tal ciência são necessárias duas coisas: um objeto específico que se distinga dos objetos das outras ciências e um objeto que possa ser observado e explicado, como se faz nas ciências.
Daí duas outras importantes afirmações de Durkheim:
· os fatos sociais devem ser considerados como coisas
· os fatos sociais exercem uma coerção sobre os indivíduos.
E explica: "É um fato social toda a maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coação exterior; ou ainda, que é geral no conjunto de uma dada sociedade tendo, ao mesmo tempo, uma existência própria, independente das suas manifestações individuais".
E na conclusão deste mesmo livro resume as características deste método sociológico: "Em primeiro lugar, é independente de qualquer filosofia (...) Em segundo lugar, o nosso método é objetivo. É totalmente dominado pela idéia de que os fatos sociais são coisas e devem ser tratados como tais (...) Mas, se consideramos os fatos sociais como coisas, consideramo-los como coisas sociais. A terceira característica do nosso método é ser exclusivamente sociológico (...) Mostramos que um fato social só pode ser explicado por um outro fato social e, simultaneamente, como este tipo de explicação é possível assinalando no meio social interno o motor principal da evolução coletiva (...) Tais nos parecem ser os princípios do método sociológico".
. Cf. ARON, R., As etapas do pensamento sociológico, São Paulo, Martins Fontes/Editora da UnB, 19872, pp. 295-375.
. DURKHEIM, E., De la division de travail social, Paris, PUF, 1960, p. 46 ou em http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k56859610, p. 46.
. DURKHEIM, E., As Formas Elementares da Vida Religiosa, pp. 260-261.
. DURKHEIM, E., As Regras do Método Sociológico, pp. 92-93.
. Idem, ibidem, pp. 159-161.
terça-feira, 5 de abril de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Snopse Filme Fale Com Ela - Filosofia - Aula de Ética
Lançamento:
Direção:
Atores:
Duração:
Gênero:
Status:
Arquivado Drama 116 min Javier Cámara, Darío Grandinetti, Rosario Flores, 2002 (Espanha)Pedro Almodóvar Leonor Watling.
Sinopse
Em Madri vive Benigno Martin (Javier Cámara), um enfermeiro cujo apartamento fica diante de uma academia de balé, comandada por Katerina Bilova (Geraldine Chaplin). Ele fica freqüentemente na janela da sua casa, vendo com especial atenção uma das estudantes de Katerina, Alicia Roncero (Leonor Watling), por quem está apaixonado. Benigno chega ao ponto de marcar uma consulta com o pai dela, uma psiquiatra que tem um consultório na própria casa, só para ter uma chance de falar com Alicia, mas agora só consegue lhe dar um susto. Antes, porém, Benigno entrou no quarto dela e olhou o recinto com admiração, tendo roubado um prendedor de cabelos dela. Quando Alicia é ferida em um acidente de carro, que a deixa em um coma, é internada no hospital onde Benigno trabalha. Ele passa a cuidar dela, mas a atenção que dispensa com Alicia é totalmente acima do normal. Além disto Benigno fala com ela o tempo todo, movido por um misto de fé e amor, pois crê que de alguma forma ela possa ouvir. Após quatro anos, o quadro dela está inalterado e a dedicação que Benigno sente por ela também. Marco Zuluaga (Darío Grandinetti), um jornalista, é designado para entrevistar Lydia Gonzalez (Rosario Flores), uma conhecida toureira que teve o nome nos tablóides ao ter um tempestuoso romance com "El Nino de Valência" , um toureiro. Inicialmente ela foi ríspida, mas após ele ter matado uma cobra que estava na casa dela se tornou mais amável. Logo os dois iniciam uma relação, que estava destinada a ser curta, pois Lydia é atingida por um touro e considerada clinicamente morta. Por coincidência ela é internada no mesmo hospital onde está Alicia e logo Benigno e Marco ficam amigos, pois no início Marco nem conseguia tocar em Lydia, mas recebeu de Benigno um simples conselho: fale com ela.
(Hable con Ella)
sábado, 2 de abril de 2011
Filosofia : Inútil? Útil? - Marilena Chauí
O primeiro ensinamento filosófico é perguntar: O que é o útil? Para que e para
quem algo é útil? O que é o inútil? Por que e para quem algo é inútil?
O senso comum de nossa sociedade considera útil o que dá prestígio, poder, fama
e riqueza. Julga o útil pelos resultados visíveis das coisas e das ações,
identificando utilidade e a famosa expressão “levar vantagem em tudo”. Desse
ponto de vista, a Filosofia é inteiramente inútil e defende o direito de ser inútil.
Não poderíamos, porém, definir o útil de outra maneira?
Platão definia a Filosofia como um saber verdadeiro que deve ser usado em
benefício dos seres humanos.
Descartes dizia que a Filosofia é o estudo da sabedoria, conhecimento perfeito de
todas as coisas que os humanos podem alcançar para o uso da vida, a
conservação da saúde e a invenção das técnicas e das artes.
Kant afirmou que a Filosofia é o conhecimento que a razão adquire de si mesma
para saber o que pode conhecer e o que pode fazer, tendo como finalidade a
felicidade humana.
Marx declarou que a Filosofia havia passado muito tempo apenas contemplando
o mundo e que se tratava, agora, de conhecê-lo para transformá-lo, transformação
que traria justiça, abundância e felicidade para todos.
Merleau-Ponty escreveu que a Filosofia é um despertar para ver e mudar nosso
mundo.
Espinosa afirmou que a Filosofia é um caminho árduo e difícil, mas que pode ser
percorrido por todos, se desejarem a liberdade e a felicidade.
Qual seria, então, a utilidade da Filosofia?
Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; se não se
deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for
útil; se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for
útil; se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na
política for útil; se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem
conscientes de si e de suas ações numa prática que deseja a liberdade e a
felicidade para todos for útil, então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de
todos os saberes de que os seres humanos são capazes.
( Extraído da Obra : Convite à Filosofia – Marilena Chauí – pg 24.)
Mitologia Grega : A Caixa de Pandora
A Caixa de Pandora
A mulher não fora ainda criada. A versão (bem absurda) é que Júpiter a fez e enviou-a a Prometeu e seu irmão, para puni-los pela ousadia de furtar o fogo do céu, e ao homem, por tê-lo aceito. A primeira mulher chamava-se Pandora. Foi feita no céu, e cada um dos deuses contribuiu com alguma coisa para aperfeiçoá-la. Vênus deu-lhe a beleza, Mercúrio a persuasão, Apolo a música, etc. Assim dotada, a mulher foi mandada à terra e oferecida a Epimeteu, que de boa vontade a aceitou, embora advertido pelo irmão para ter cuidado com Júpiter e seus presentes. Epimeteu tinha em sua casa uma caixa, na qual guardava certos artigos malignos, de que não se utilizara, ao preparar o homem para sua nova morada. Pandora foi tomada por intensa curiosidade de saber o que continha aquela caixa, e, certo dia, destampou-a para olhar. Assim, escapou e se espalhou por toda a parte uma multidão de pragas que atingiram o desgraçado homem, tais como a gota, o reumatismo e a cólica para o corpo, e a inveja, o despeito e a vingança para o espírito. Pandora apressou-se em colocar a tampa na caixa, mas, infelizmente, escapara todo o conteúdo da mesma, com exceção de uma única coisa, que ficara no fundo, e que era a esperança. Assim, sejam quais forem os males que nos ameacem, a esperança não nos deixa inteiramente; e, enquanto a tivermos nenhum mal nos torna inteiramente desgraçados.
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